Com los Recuerdos al hombro

FIQUE RICO SEM SAIR DE CASA

28 de abr de 2010

O Luiz e os outros irmãos

Quando iniciava década de 1990, nós éramos cinco irmãos, todos do sexo masculino, Luiz, Paulo, Leandro, Renato e eu. Minha mãe estava grávida de sua primeira menina, que nasceria em abril daquele ano, a Pérola. Mas morávamos em casa apenas os quatro mais novos, o Luiz morava com a vó Maria. Eu me lembro que a vó Maria morava próximo da nossa casa, na rua Quinze, um pouco mais acima.
Mas o que eu quero falar agora é que o Luiz era uma pessoa a parte em nossa convivência. Nós nunca convivemos da maneira como os outros irmãos vivem, juntos. Ele sempre morou fora de casa.
Não sei se era algum tipo de preconceito, talvez impregnado sem querer na cabeça de meu pai, mas o certo é que ele viveu assim, alheio a nossa vida cotidiana.
Digo preconceito porque o Luiz é o único filho da minha mãe que não é filho também de meu pai. Quando meus pais se casaram, ele já era nascido. Fruto do envolvimento anterior de minha mãe com o Silvio, o Silvio Santos, não o da TV, mas um de Jaguarão. Igualmente famoso. O Silvio era o garanhão da sua época, "pegava todas", principalmente quando jovem, quando ainda tinha alguns trocados, podia esbanjar. Mas morreu na miséria, sem ter sequer onde morar.
Voltando ao Luiz, em virtude disto, eu acho que ele era muito maltrado pelo meu pai, por não ser seu filho. Em uma dessas feitas, contava minha mãe, que ele deu de relho no Luiz; diz até que teve que levá-lo ao hospital, tamanha fora a surra. A partir daí a vó Maria levou-o para que morasse com ela. Desde então ele nunca mais voltou para casa, tendo saído da casa dessa vó e ido morar na casa da outra, a Ieda, no início dos anos 90, quando estava chegando a adolescência e queria um pouco de liberdade. Conseguiu. Tanto que se envolveu com pessoas que não deveria e fez coisas piores ainda. Mas isso faz parte do passado. Ele morou com ela até alcançar a maioridade, quando resolveu morar sozinho. Hoje talvez ele nem se lembre muito sobre isso, já que vive uma vida normal em sua casinha em cima do Cerro. Às vezes é melhor deixar o passado em seu devido lugar: esquecido no passado. É isso que ele faz; e faz muito bem. Só eu fico lembrando o passado, remoendo tristezas, problemas e dores como se isso estivesse sempre presente na minha vida. Ele está certo, vamos deixar as angústias para trás.


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