Com los Recuerdos al hombro

FIQUE RICO SEM SAIR DE CASA

12 de set de 2011

Pausa. Repensando a vida.

O que eu vou escrever agora não me sucedeu no passado ou quando era criança. Vou contar uma coisa que me aconteceu agora poucos dias; quinta-feira, mais precisamente.
Estava na minha casa, aqui no Capão do Leão, estava preparando-me para dormir quando recebi uma chamada no celular; não conhecia o número, por isso pensei sinceramente em não atender, já que era tarde, mas no instinto recebi a chamada. Para minha surpresa era o Cris, um primo. Ele me transmitiu a triste notícia.
A morte sempre me assombra. Volta e meia ela bate na minha porta. E leva alguém sem dó nem piedade.
Desta vez, infelizmente, eu já esperava. Mas não estava preparado. Nunca se está. Todos sabemos que não viveremos para sempre, que este tempo aqui é apenas uma provação passageira, que um dia todos partiremos, deixaremos alguém pranteando pela partida. Mas mesmo assim, a dor de um ente querido é a maior dor que um ser humano possa suportar. Claro, cada um sente a sua maneira.
Disse que já esperava. Claro. Conheço muito bem a enfermidade da qual era acometido meu irmão Xandi (como era carinhosamente chamado). Meu tio Milton, meu irmão Paulo e meus primos Bazildo e agora o Leonardo, também são acometidos dessa mesma doença. Genética, que assombra a todos da família. Todos têm medo de terem filhos.
Porém, para a morte estamos sempre despreparados, mesmo sabendo que ela virá cedo ou mais tarde. Por isso choramos, sofremos e não aceitamos. Nessa hora duvidamos da existência de um Deus, mas é Nele que se busca forças sempre, no espirutual. Nessas horas as pessoas ficam mais pobres de espirito, por isso precisam ser consoladas. E a fé é o caminho natural para a grande maioria das pessoas.
A dor pela perda de um ente querido varia por vários fatores. Entre eles, a idade da pessoa ao falecer. Quanto mais jovem, maior é a dor dos que ficam. Uma pessoa já idosa viveu bastante e cumpriu seu ciclo aqui na Terra, mas o que dizer de um jovem que recém começou a viver?
Não sei. Tinha um amigo meu que sempre dizia que o normal são os filhos enterrarem os pais, não o contrário. Nesse caso a dor seria maior. Pobre da minha Velha, nos últimos dez anos enterrou três filhos.
Outro motivo que eleva o tamanho da dor é a maneira como ocorre a morte. Não sei como surgiu essa doença, mas não conheço nenhum caso fora da minha família. O que me faz perguntar, será que o problema não é conosco? Pode ser. Pode ser uma provação que devamos passar. Não sei.
No entanto, fico entristecido, porque já são vários casos. Essa doença assombra já faz bastante tempo e fez várias vítimas. Por isso, quando alguma criança nasce com esse problema, a família fica toda entristecida, porque já sabe onde e como isso vai terminar. Infelizmente.

Adios hermanito. Te va com Dios.

Escritorio de Advocacia, novo anuncio.

26 de ago de 2011

A pracinha, a Dona Suely e o Iura

Voltando a escrever neste meu livro amigo, tenho algumas lembranças a compartilhar.
Muitos anos atrás, la pelos 96 e 97, eu frequentava a casa de uma senhora já bem velhinha chamada Suely. Ela morava ali na Vila kennedy, em frente à Pracinha do Posto.
Todos os dias de manhã era sagrado: levanta-me bem cedinho e ia para a Praça esperar que ela me chamasse. Depois tomava um cafezão daqueles bem gordo; ficava um pouco e ia para casa satisfeito.
Mas para isso existia um ritual: eu não poderia simplesmente chegar e ir entrando ou batendo na casa dela, eu tinha que esperar que ela me chamasse, por isso eu sentava na Praça. Isso se dava em virtude de um seus filhos, de nome Paulo, não gostava muito que ela compartilhasse um pouco de seu alimento comigo. Muitas vezes, ela me acenava com a mão para eu ir embora. Eu tinha muito medo desse tal de Paulo, pois ela dizia que ele era da Brigada, apesar de nunca tê-lo visto fardado.
No entanto, assim foi por longos anos, todos os dias, de segunda a domingo eu ia tomar café na casa da Dona Suely. Ganhava muitas coisas dela, como roupas, alimentos e brinquedos. Foi uma época boa de quando eu sentava na Praça. As pessoas da vizinhança me conheciam como o Menino da Praça, pois esta foi minha rotina por anos.
Eu nem sei como eu conheci a Dona Suely, acho que foi meio por acaso; mas ela marcou demais a minha vida naqueles difíceis anos noventa.
Porém, teve uma pessoa que eu conheci naquela praça que se tornou um dos grandes amigos que eu tive na minha juventude: o Iura Patron.
O Iura todos os domingos quando ia para a Igreja (falerei disso em um post posterior), não perdia a oportunidade e me convidava. Todo santo domingo era a mesma coisa. Eu sempre dava uma desculpa. Mas nunca ia. Eu me lembro até de uma vez eu ter me escondido dele. Mesmo assim ele não desistiu e seguia me convidando. Tempos depois eu fui à Igreja e frequentei assiduamente por sete anos. Não foi o Iura que me levou para a Igreja, mas com certeza plantou uma semente.
Por isso eu não esqueço daquela Praça (a Praça de Cima como se convencionou chamar pela gurizada, porque poucos sabiam seu nome). Ali conheci um grande amigo e tinha uma pessoa maravilhosa que me ajudou muito.

20 de jun de 2011

Leandro e a Tia Sueli

Bom, primeiramente quero ressaltar que tenho escrito pouco no Blog em virtude do tempo, que tem se tornado cada vez mais escasso. Mas aqui estou de novo, trazer mais um pouco de mim e de meus pares.
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Agora vou escrever um pouco sobre a vida do Leandro, ou do Guerra como muitos o chamam. Creio que depois do Luis, ele foi o irmão que mais viveu londe de casa, naquela época.
A irmã mais nova de meu pai, a Sueli nunca pôde ter um filho, não sei qual a razão e então ela queria por que queria pegar um sobrinho para criar. Quando eu era criança ela tentou de todas as maneiras me levar para morar consigo, mas eu nunca quis, sempre dizia que não.
De tanto eu dizer não, que ela desistiu. Mas não desistiu de pegar um sobrinho. Só que suas investida mudaram, foram para o Leandro, que é mais novo que eu dois anos e meio. O Leandro de prontidão aceitou e foi morar com a Sueli.
Eu não me lembro exatamente a data, mas creio que foi lá pelo ano de 1996, o Leandro tinha menos de dez anos de idade.
A Sueli morava na Vila Kennedy, ali naquela rua que passava do lado da antiga pista de motocros - hoje a pista deu lugar a um bairro chamado Indianapolis II -, e trabalhava como auxiliar de enfermagem na Santa Casa de Jaguarão. Naquela época, ela e o Marquinhos trabalham como auxiliares de enfermagem, eram, portanto, os irmãos mais bem colocados do Alceni, meu pai, que por sua vez era o mais miserável de todos, vivia sempre numa pindaiba danada. Por isso ele aceitou a ida do Leandro para a Sueli sem problemas, já que era uma boca a menos para comer em casa.
Aliás, quero fazer um parêntese aqui: O Alceni tinha o prazer de dar os filhos para os outros. Sempre havia alguém querendo os filhos dele. O Leandro, por exemplo, morou com a Sueli e com o Vaca, a Sheyla ele quase deu para um desconhecido, o Alexandre foi dado, depois tirado. Ou seja, fazia filho, e um monte, mas criar não queria. Mas isso já é outra história.
Voltemos a história do Leandro com a tia Sueli.
Como disse ela morava ali perto do campo da motocros, perto da nossa casa, portanto; perto também da casa casa da vó Maria, que fez todo o esquema para a Sueli levar o Leandro para morar consigo. Claro que depois de ir morar com a Sueli, o Guerra mudou de vida. Vivia sempre arrumadinho, tinha cadernos, roupas e tênis bons para ir ao colégio. E até uma bicicleta havia ganhado. Uma cross daquelas do Uruguai. Cor azul, se não me engano. Fora com essa bicleta que eu aprendi a andar. Antes eu nem conhecia bicicleta.
Até essa época ia tudo bem. Ela morava ali perto, o Leandro visitava a mãe quando quisesse, eu ia lá, a gente andava de bicicleta, ia na motocros, estudavámos no mesmo colégio, no Amaro Juunior, cursávamos a mesma série, então até esse momento ia tudo bem.
Mas as coisa começaram a mudar quando a Sueli mudou-se do lugar onde morava para Vila Pindorama. Ficou mais longe de ele visitar mãe e os irmãos; e a Sueli começou a mudar o tratamento com ele também, proibindo-o às vezes até de sair na rua. Eu me lembro que às vezes eu tinha até dificuldade de ir lá de visitá-lo, ele tinha que pedir permissão. Dormir fora então, nem pensar. Final de semana na casa da mãe, nem se cogitava. Então as coisas iam de mal a pior. Ficou insutentável quando ela o transferiu para estudar no Espirito Santo. Todos os outros primos foram para o Joaquim Caetano - isso se dava porque o Amaro Junior ia até a quinta série - e ele se sentiu deslocado. Isso sem imaginar que quem estudava no Espirito Santo, tinha que ter uma certa renda, mais do que ela recebia como auxiliar de enfermagem. Porque apesar de o Espirito Santo ser uma escola pública tudo era cobrado: livro, apostila, uniforme, até a bacaquice de uma agenda tinha que comprar. Talvez até algumas coisas não fosse obrigatório, mas convenhamos, a pressão social, faz algumas coisas de facultativas em obrigatórias, então se sentia deslocado, porque algumas coisas ele não tinha e os colegas riam, é claro.
Dessa forma começou haver desgaste entre eles. O Leandro já era um adolescente e não aceitava mais imposições. O Baixinho, marido da Sueli, até era um cara bom, mas quando bebia ficava insuportável. E começaram ter as brigas. O Leandro não ia mais ao colégio, não obedecia mais e a Sueli mandou-o embora. E era tudo o que ele queria. Viver em liberdade.
O Leandro voltou para casa da mãe, mas aquele ano ele perdeu. Repetiu o ano. No ano seguinte, ele estudou a sexta de novo, só que no Joaquim Caetano, sem frescuras e sem babaquices. Perdeu um pouco da mordomia, mas ganhou liberdade.
E Leandro e Sueli nunca mais. Nunca mais também a Sueli quis pegar um sobrinho para criar, ainda mais grande. Esses tempos eu soube que conseguiu uma criança para criar, mas bem pequeninha, de colo.

2 de mai de 2011

Picada Nossa de Cada Dia

Picada é um dos nomes de um pequeno arroio afluente do Rio Jaguarão. Ao logo de sua águas, dependendo do lugar, tem um nome diferente. Pode Arroio Lagoão, Passinho da Areia, Ponte Quebrada e, claro Picada.
A parte que se chama Picada é a parte que fica atrás da Vila Kennedy, cerca de meia hora a pá da Vila, onde existem muitas plantações de arroz.
Não sei porque tem esse nome. Talvez seja porque picada significa, segundo o Dicionário de Língua Portuguesa Aurelio Buarque de Holanda, um caminho estreito aberto na mata a golpes de facão. talvez seja por isso. Mas não acredito muito. Esse nome foi dado pela gurizada; e a gurizada não pensaria nisso. Talvez tenha esse nome em virtude da quantidade de mutucas existententes naquele local. Ninguém saía de lá sem lever uma boas picadas de mutuca. Essa deve ser a razão mais provável de ter esse nome.
No entanto, a Picada foi uma mais maravilhosa experiências da minha juventude. Na época do apogeu da Picada ninguém pensava em ir ao Balneário Lago Merin, a gurizada queria era curtir mesmo aquela  água gelada de arroio. Famílias inteiras iam à Picada.
A Picada era mais ou menos assim: havia uma rua de entrada, tinha que pular um portão e essa estradinha nos levava até às margens do arroio. Dos dois lados era bom, mas o lado preferido de todo o mundo era lado direito de quem ia, porque existia um areal, que dava ao arroio status de praia. Havia muitas árvores e barrancos onde se juntava uma gurizada para dar ponta na água. Existia também muitos butiazeiros e pés de araçá e maracujá. Era uma fartura.
Porém, não era nada fácil tomar banho lá. Primeiro porque não existia acesso para veículo. Tinha que ser a pé mesmo. Depois em certas épocas, a entrada não era permitida. Sempre havia os capatazes que corriam quem entrasse.
Eu e meus primos tivemos grandes aventuras nessa Picada. Algumas desastrosas. Uma vez queríamos acampar lá. Mas alguém nos disse que se ouvia gritos de crianças chorando durante a noite. Pio e eu bem que tentamos uma vez, entretanto, chegando a noite no cagaceamos e demos no pé. Se ouvia uns gritos à noite, realmente; mas não eram de crianças chorando. Era um pássaro que piava que nem criança quando chora. Como a gente ria disso depois.
Fora isso, as inúmeras pescarias que fazíamos nesse local. Apesar de ser um arroio raso, sempre se pescava peixe por lá, inclusive se fazia um assado de peixe na beira da água. Lembro-me de uma pescaria desastrada. Éramos eu, Luis, Cid, Pio, Negão Rafa, Valério, entre outros, fizemos na chamada parte funda da Picada. Era um local mais distante da estrada de entrada tinha que caminhar mato adentro. Fomos pescar lá e tiramos algumas traíras. Mas o que mais chamou a atenção, foi quando o Pio estava pescando com um dos meus caniços e a traíra engoliu o anzol e cortou a linha. Imaginem a cena. Luis, Valério, Pio, todo o mundo chutando a pobre trairinha para que ela não voltasse de novo para a água. Mas voltou, ela conseguiu retornar e nos deixou  na mão naquele dia. Olha que era uma traíra grandezinha.
Apesar de ser um arroiozinho de não mais do que um metro de profundidade, havia vezes que ela ficava profunda e perigosa. Quando chovia muito, ela ficava cheia e o banho era impossível. A água ia até a entrada do acesso às águas, mais de trinta metros da margem. A correnteza também era inimiga em dias de água cheia. Era muito perigoso. A gurizada só ia para olhar as águas, ninguém se animava adentrar.
Além das travessuras de guri, a Picada tinha também uma outra utilidade por aquelas zonas. Quando faltava água, era um camboio de gente se dirigindo para lá de balde e garrafas. Na Picada existia uma cacimba da mais pura água. Muita água bebi daquela cacimba. Lembro-me que ela ficava junto a uma tapera, rodeava de pés de figueira e araçá. Água boa e novinha.
Tempos bons que não voltam mais. Acredito até que hoje em dia ninguém vá mais à velha Picada tomar banho. Ficou no passado mesmo, na memória de quem la já foi um dia.

24 de mar de 2011

A Velha Olaria

Muito pouca coisa me lembro da Olaria velha que ficava lá nos fundos do bairro Indianopolis. No entanto, três coisas ficaram na minha mente para sempre: os oçudes que existiam um pouco mais adiante; a casa de telhado de palha, que servia de aconchego - o Cid dizia que ele construíra a casa, não sei se procede - e o acidente do Luis com as esteiras da Olaria onde se machucou uma das mãos.
A Olaria pertencia ao Valdeci Silva, um famoso cantor de músicas religiosas de Jaguarão. Anos mais tarde ele seria canditado a vereador, fazendo um pouco mais de setenta votos. Acho que ele se canditatou na época errada.
O Valdeci fez parte dos tempos áureos da minha infância. Do tempo em que eu andava solto. Ele era muito amigo do Cid, por isso  nos visitava frequentemente. O Valdeci fez sucesso, quando se gravava músicas em fita cassete, pois em CD naquela época, só para cantores de alta estirpe, coisa que ele não era. Era famoso apenas em Jaguarão e no meio das Igrejas Evangélicas. Não sei por onde ele anda agora, mas dizem que mora em Pelotas. Da última vez que falei com ele foi na eleição municipal de 2004. Depois nunca  mais o vi. Soube tempos depois que ele e o Cid tinham rompido, não sei quais as razões, mas acho que envolve politica.
Então a velha olaria pertencia ao Valdeci que dividia seu tempo trabalhando nela e cantando para as "multidões". Eu me lembro que a música mais fomosa dele era "Quantas lágrimas", que tinha um trecho mais ou menos assim: quantas lágrimas que rolam em meu rosto, é dor de um desgosto, é pecado que a traz, até parece que nada tem valor, mas eu olho para cruz, clamo sangue de Jesus, tudo se torna feliz.
Fora a religiosidade dele, de resto era um homem normal. Era dono de uma olaria. Para ser sincero não sei se era dele propriamente dito ou se ele locava aquilo, mas ele mandava.
Os principais empregados dele eram o Cid e o Luis, que trabalhavam nela todos os dias e faziam a máquina funcionar.
Fora o trabalho, a olaria servia de ponto de encontro da gurizada. Na famosa casa feita com barro e tijolo com telhado de palha. Ali eram feitas as reuniões. Ali também foi o fim do famoso Wikiman e do Homem Águia. Afora isso, nós brincávamos muito naquela olaria, de tudo quanto é coisa.
Dentro da pátio da olaria havia um açude, onde a gurizada tomava banho. Mas tempos antes havia mais dois açudes mais atrás da olaria. Eram as famosas Pirulitas e as Balas. Não me perguntem porque têm esses nomes que eu não sei. Acho que o primeiro foi o Pirulitas, depois surgiu o outro e, não tendo outro nome puseram Balas. Coisas de guri.
Então a gurizada tomava banho nesses açudes. Mas credo, se fosse hoje em dia eu não colocaria nem meus pés dentro daquela água imunda cheia de aguapés. Já naquela época eu tinha medo de entrar na água. Só que a Rosa - irmã da minha mãe - não teve medo. Certa vez o Luis perdeu um chinelo lá e a Marta  - irmã da Rosa - que morava com a minha vó foi buscá-lo e não encontravam do tal chinelo. A Marta queria ver o chinelo, mas não entrou na água, mandou a pobre da Rosa fazê-lo. Até eu me assustei.
Mas voltando a história da olaria, o Luis uma vez se acidentou trabalhando. Não sei bem o que ele fez. Segundo o Valdeci dissera para a Vó, ele tinha colocado a mão numa correia e se machucado um pouco. Ficou uns quantos dias com as mãos enfaixadas.
Vale lembrar que nem ele, nem o Cid tinham carteiras de trabalho assinadas, não possuiam, portanto, nenhum direito previdenciário, ou seja, ficou por isso mesmo. Mas isso já não importa. O que importava mesmo naquela época era a diversão.
Tempos depois a olaria fechou e nunca mais se fez tijolo lá. O Valdeci como eu já disse deu um sumiço de Jaguarão. Claro, não antes de fundar a sua própria igreja. Como não deu muito certo, tomou chá de sumiço e a velha olaria já não existe mais.

13 de jan de 2011

Escritorio de Advocacia - Divulgação

Seu Luis Carlos da Cadeira de Rodas

Quando vivia no Mutirão I existia um Senhor que se chamava Luis Carlos. Ele era um amigo da gurizada. Morava - e acho que ainda mora - na  Avenida Vinte e Sete de Janeiro a poucos metros da nossa casa.
O Seu Luis Carlos ou Tio Luis Carlos, como muitos o chamavam, tinha uma peculiariedade: não caminhava, era paralítico. Talvez por isso o Paulo Alceu se identificasse tanto com ele. No entanto, ele não nasceu assim. Ficou sem caminhar depois de um acidente. Por isso ele tinha forças nos braços e podia movimenter a sua cadeira de rodas para cima e para baixo.
Tanto tinha forças que dirigia. Isso mesmo ele tinha um veículo adaptado. Usava apenas as mãos. Quando era chico muito andei naquele chevette branco. Muitos tinham medo de andar com ele, pois acreditavam que ele não podia fazer, que ele era limitado. Para falar a verdade, até dava um certo medo, mas como era bom ver aquele homem dirigindo; ficava imaginando como ele fazia tudo aquilo usando apenas as mãos. Incrível. 
Que força de vontade. Esse sim dá para dizer que deu a volta por cima. O homem sofreu um acidente grave, parou de caminhar, mas não deixou de viver. Muitas pessoas com problemas bem menores se atirariam em uma cama e ali ficariam até morrer. Mas esse não. Mandou adaptar o carro e seguiu a vida. Às vezes eu fico imaginando a gente com problemas bem pequenos, já reclama da vida, põe a culpa em Deus e fica achando razões para tudo. O Seu Luis Carlos ali, em cima de uma cadeira de rodas, alegre, feliz e, principalmente, vivendo.  
Seu Luis Carlos e a filha - foto da internet
Claro que, talvez ele não tivesse conseguido sozinho. Ele sempre contou com o apoio da filha, que desde muito jovem sempre cuidou dele. Era ela que sempre estava a seu lado. Nunca o abandonou.
Qunado éramos pequenos, eu meu irmão Paulo íamos vizitá-los, ela sempre fazia um café para nós. Uma pena que eu não me lembro do nome dela. Esqueci por completo. Mas mesmo assim, ela também é uma heroína.
Alguns anos atrás, lá pelos anos 2000, novamente eu me encontrei com o Seu Luis Carlos. Ele era monitor no Projeto CASE. Ele trabalhava lá, ajudando a cuidar da meninada. Sempre trabalhou. Não parou nunca. Por isso eu acho que ele é um exemplo de pessoa, de luta, de perseverança. Se imaginarmos se o homem tinha coragem de atuar no Projeto CASE, onde havia uma gurizada barra pesada, então ele tinha coragem para tudo. Ele é um herói.
Mas eu andava meio preocupado esses dias; pois eu tinha que escrever sobre ele, por tudo que representou à minha infância, mas não achava uma imagem dele. Mas como um passe de mágica, vasculhando na internet, eis que achei essa imagem que já diz tudo. Ele e a filha sentados na frente de casa. Só não sei se ele tem o chevettão ainda.