Com los Recuerdos al hombro

FIQUE RICO SEM SAIR DE CASA

23 de nov de 2010

Amaro Junior

Minha Querida Escola, já sei ler e escrever, contigo aprendi que a vida não é nada sem você...
Eu na foto escolar em 1998
Quando me lembro da minha infância, é claro, não posso esquecer dessa escola, que marcou demais a minha curta vida. 
O nome da escola é Dr. Manoel Amaro Jr. Foi fundada em 1962. Amaro Jr foi o fundador patrono da escola. A escola fica ali na Vila Kennedy entre as Ruas XV de Novembro, 27 de Janeiro e Gustavo Guimarães. 
Na época em que eu estudava ela ia apenas até a 5ª série do ensino fundamental. Era uma escola bem pequena, com poucas salas de aula. Hoje é uma escola bem maior, bem mais ampla.
Estudei nela do 1º ao 5º ano. Depois saí, pois não tinha sexta série. Cada vez que eu passo em frente dela, momentos lindos retornam a minha mente. Coisas do passado retornam, as vezes com tanta nitidez, que parece que acontecem hoje. 
Tão nitidamente que aquela estrofe que dá inicio a este post é de uma música que eu aprendi lá na 3ª série. Nunca mais esqueci. Por muitos anos eu enganei o Leandro e o Renatinho dizendo que era eu quem compunha a famosa música, até que um dia  eles descobriram que eu aprendi na escola.
Minha vida escolar foi um pouco distinta das outras pessoas. Até hoje nunca entendi certas coisas. Por exemplo, quando eu comecei a estudar eu tinha já nove anos de idade. Muito tarde se formos comparar que as crianças começam com seis. Estudei nesse colégio entre 94 e 98. Nunca repeti uma série. Nem nesse colégio, nem em qualquer outro. Só por aí dava para se tirar uma ideia. Eu era o maior da turma, todos tinham medo de mim, embora nunca fizesse mal a uma mosca.
Da primeira série, duas coisas ficaram para sempre na minha mente. Primeiro, o famoso e já nostálgico mimeógrafo. O cheiro que ele produzia era tão particular que até hoje fico maravilhado quando vejo um. Coisas lindas eram aqueles desenhos feitos em papel ofício através de uma matriz. E o prazer que dava de pintar aquilo depois. Isso é nostálgico, é maravilhoso.
Segundo era a Professora Leonice. Tive várias e ótimas professoras, mas nenhuma me marcou tanto quanto essa. Não sei se porque era primeira série e tudo era novidade ou porque realmente aquela professora tinha algo de especial. Não sei. Mas eu me recordo de um caderno que ela me deu de presente uma vez. Um caderno bem simples, mas que com seu trabalho de arte virou o melhor caderno do mundo. Imagina, eu era criança. Aquele caderno todo desenhado, forrado e pintado, com vários desenhos de bichinhos deixou-me maravilhado vários dias e me fez sentir uma pessoa importante, pois havia alguém que se importava comigo.
Havia tantas outras pessoas naquela escola, essa que para mim, até os dias atuais é a mais especial. Posso citar, por exemplo, a tia da merenda, que sempre enchia o prato para mim, e causava ciumeiras entre os demais. Havia também o guardinha da escola, que certa vez foi me buscar em casa pois eu não ia a aula já havia alguns dias. Enfim, tantas coisas, que se não tivessem acontecido, talvez eu não estivesse aqui, escrevendo estas palavras, que são palavras de agradecimento.
O Amaro Jr. vai sempre ficar na minha lembrança. Lembrar-me-ei sempre das professoras Dulce, Berenice, Júlia, da Maria Dilu e claro da Aldiria, a famosa da 5ª série. Todos tinham medo dela. Eu me lembro que quando eu estava na 4ª série, o Rafa sempre me dizia que na quinta eu ia sofrer. Que nada, a quinta veio e eu passei na maior tranquilidade.
Fico recordando vários colegas de várias séries, que nem me lembro mais, mas com certeza marcaram minha vida, tais como a Davina, a Daiane (uma vez fui para secretaria por sua culpa), o Luis, o Paulo Henrique, o Claudinei, o Eliberto, o Jorge, o Davi,  o Amaro e claro todos os meus primos, o Pio, o Cris, o Rafa, a Adriana, o Gabriane, etc. A todos quero externar meus agradecimentos e dizer que como eu sinto saudades daqueles tempos em que éramos crianças e tudo podia acontecer.

4 de nov de 2010

Dairi, o Eterno

É dificil falar sobre esta pessoa e não ficar emocianado. O Dairi fez parte de toda a minha infância e de quase toda a gurizida que morava na Vila ou no Cerro. Sendo por isso que eu o citei em vários posts que escrevi.
É por isso também que, em sua homenagem, o Luiz tenha criado uma comunidade só para ele no orkut. Comunidade, inclusive, que dá nome a este post: Dairi, o Eterno.
Muitos leriam assim meio superficialmente e se perguntariam: mas por que eterno se ninguém vive para sempre e o Dairi não é tão velho, deve ter lá seus sessenta e poucos. Não sei. Mas vou tentar explicar um pouquinho disso.
Alguns anos atrás existia o que eu chamo de "turma da cachaça". Eram vários participantes: o Alceni, o Vaca, o Titila, o Dairi e outros agreagados menos influentes. Dos que eu citei, só o Dairi continua na ativa, os demais foram beber cachaça nos pagos celestiais ou infernais,  não sei. Por isso ele é chamado de eterno.
Naquela época, todos diziam que o Dairi não resistiria mais um agosto, que um dia iam achar ele morto em uma vala, coisas do gênero. Isso era dito principalmente pelo Vaca e pelo Alceni.
Mas assim não foi. O tempo passou, o Titila se foi, o Alceni se foi, o Vaca se foi e o Dairi? Continua aí forte e irredutível e mais cachaceiro do nunca.
Segundo o Luiz, o diferencial do Dairi para os outros seria porque se alimenta, coisa que os outros não faziam. Pode ser. Mas eu não poderia deixar de acrescentar mais uma coisinha, também importante: o Dairi é inocente. Ele seria imcapaz de fazer maldade a uma mosca sequer. Acredito que, mais do que a comida, esse seja o diferencial do Negão Dairi, como todos cosmumavam chamá-lo ou Bruce Lee, quando estava bêbado.
Para ser sincero, não sei exatamente como ele está agora. Mas sei que está na ativa, sempre na volta do Cerro.
Porém, voltando sobre a inocência do Dairi, sinceramente, nunca vi, em um homem, tanta humildade. Não sei se era a posição social dele ou se isso veio de berço, mas o homem era uma muralha de humildade. Nada tirava isso dele. Eu me lembro de uma maldade que o Vaca lhe fez (fez-lhe tantas outras), certo dia, o Dairi trabalhando no boteco dele (do Vaca), o Vaca que não era burro pagava em comida e cachaça; mas nesse dia ele fez uma "baita" sacanagem com o Negão: deu-lhe de comer em um penico. Está bem que o penico era novo, era da venda, mas mesmo assim a humilhação não poderia ser maior. Mas o Dairi era humilde. Comeu a refeição, mesmo naquele penico. 
Por isso que eu digo que este era o diferencial do Dairi, ele não fazia mal para ninguém. Várias vezes eu o vi ser humilhado, várias vezes eu vi ser espancado, várias vezes eu ovi chorar. Mas Deus estava do seu lado. Os opressores morreram e ele continua. Agora dentro de suas bebedeiras pode brincar a vontade de ser Bruce Lee. E ele é.