Com los Recuerdos al hombro

FIQUE RICO SEM SAIR DE CASA

26 de ago de 2011

A pracinha, a Dona Suely e o Iura

Voltando a escrever neste meu livro amigo, tenho algumas lembranças a compartilhar.
Muitos anos atrás, la pelos 96 e 97, eu frequentava a casa de uma senhora já bem velhinha chamada Suely. Ela morava ali na Vila kennedy, em frente à Pracinha do Posto.
Todos os dias de manhã era sagrado: levanta-me bem cedinho e ia para a Praça esperar que ela me chamasse. Depois tomava um cafezão daqueles bem gordo; ficava um pouco e ia para casa satisfeito.
Mas para isso existia um ritual: eu não poderia simplesmente chegar e ir entrando ou batendo na casa dela, eu tinha que esperar que ela me chamasse, por isso eu sentava na Praça. Isso se dava em virtude de um seus filhos, de nome Paulo, não gostava muito que ela compartilhasse um pouco de seu alimento comigo. Muitas vezes, ela me acenava com a mão para eu ir embora. Eu tinha muito medo desse tal de Paulo, pois ela dizia que ele era da Brigada, apesar de nunca tê-lo visto fardado.
No entanto, assim foi por longos anos, todos os dias, de segunda a domingo eu ia tomar café na casa da Dona Suely. Ganhava muitas coisas dela, como roupas, alimentos e brinquedos. Foi uma época boa de quando eu sentava na Praça. As pessoas da vizinhança me conheciam como o Menino da Praça, pois esta foi minha rotina por anos.
Eu nem sei como eu conheci a Dona Suely, acho que foi meio por acaso; mas ela marcou demais a minha vida naqueles difíceis anos noventa.
Porém, teve uma pessoa que eu conheci naquela praça que se tornou um dos grandes amigos que eu tive na minha juventude: o Iura Patron.
O Iura todos os domingos quando ia para a Igreja (falerei disso em um post posterior), não perdia a oportunidade e me convidava. Todo santo domingo era a mesma coisa. Eu sempre dava uma desculpa. Mas nunca ia. Eu me lembro até de uma vez eu ter me escondido dele. Mesmo assim ele não desistiu e seguia me convidando. Tempos depois eu fui à Igreja e frequentei assiduamente por sete anos. Não foi o Iura que me levou para a Igreja, mas com certeza plantou uma semente.
Por isso eu não esqueço daquela Praça (a Praça de Cima como se convencionou chamar pela gurizada, porque poucos sabiam seu nome). Ali conheci um grande amigo e tinha uma pessoa maravilhosa que me ajudou muito.