Com los Recuerdos al hombro

FIQUE RICO SEM SAIR DE CASA

20 de abr de 2010

O assassinato

Poucas coisas marcaram mais a minha vida do que isto que descrever agora. Muitos acreditam que eu minto, pois não poderia saber de tantos detalhes assim, tanto tempo depois, principalmente tendo tenra idade.
No entanto, o que vou contar a partir de agora não é mentira; não é fruto da minha imaginação e as coisas realmente aconteceram, com todos esses detalhes. Nada acrescentado. Foi um dos últimos acontecimentos, e mais marcante também, da minha vida inicial no Cerro da Pólvora.
Era início do ano de 1989, verão, minha mãe estava grávida de meu irmão Renato. Vivia conosco naquela época, o Aldirio (tio de meu pai, irmão da minha vó Maria). Aldirio já era um homem de idade. Lembro-me pouco de seu rosto, lembro-me, porém, que ele era calvo. Nunca esqueço de sua WV Kombi azul, que eu nunca soube o fim que ela teve. Lembro-me também que todos os dias que ele chegava, presenteava-nos com pacotes de bala de goma e pipoca doce, era uma delicia. Quando ele chegava com isso era uma festa só. Parecia ser um bom homem. Apenas parecia. Era um homem mau. Já tinha cometido vários crimes, inclusive um assassinato.
Como disse, minha mãe estava grávida, prestes a dar a luz. Morávamos, como já foi dito, no mesmo lugar, no Cerro. Não me lembro exatamente como era a casa, mas me lembro que eram dois quartos, sala/cozinha juntos e o banheiro era na rua. Isso mesmo, o banheiro ficava na parte de fora da casa.
Lembro-me que era noite. Minha nãe fora na rua colocar a erva do mate fora. O Aldirio foi logo em seguida. Todos imaginaram que ele fosse ao banheiro. Mas não. Em seguida minha mãe volta da rua assustada. Logo após Aldirio vem com uma faca em mãos proferindo um monte de besteiras, coisas do tipo "vou tirar essa criança de ti" e muitas outras coisas mais que não me lembro. E foi em direção à minha mãe, apontando a faca grande de cabo preto. Foi quando meu pai pegou uma pedra grande que estava próxima ao fogão a lenha e jogou-lhe na cabeça. Ele caiu no chão, mas ainda estava vivo. Então meu pai pegou o machado e desferiu-lhe muitas machadadas no peito. Muitas, não sei quantas. Fiquei apavorado; quando vi aquele sangue todo jorrando pelo chão, nem sabia onde me esconder. Juro que fiquei assustado. Fora a primeira vez que vi alguém morrer, ainda mais dessa maneira.
Depois disso fomos, minha mãe, meus irmãos e eu para casa da minha vó, que ficava próxima. De lá vi a comioneta dos bombeiros levar o corpo. Por incrivel que pareça chegou ao hospital ainda vivo. Foi mandado direto para Pelotas, mas não resistiu, morreu. Nunca mais se soube dele. Dizem até que fora enterrado como indigente. Com meu pai nada aconteceu. Abriram inquérito, mas nunca se chegou a uma conclusão. Lá pelos anos dois mil e pouco, ele fora chamado na policia de novo. Mas encerraram o caso ali.
Chato foi chegar em casa depois daquele sucedido. Ficou algo ruim impregnado no ar. Era triste. Menos mal que em seguida fomos embora de lá e meu pai desmanchou a casa.
Atualmente as pessoas me perguntam o que particularmente eu penso sobre esse episódio. Uma coisa quero deixar bem claro, todo o ódio que senti pelo pai todos esses anos, nada tem a ver com esse episódio, tem a ver em outros motivos; eu no lugar dele teria feito a mesma coisa.

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