Com los Recuerdos al hombro

FIQUE RICO SEM SAIR DE CASA

2 de jun de 2010

A Minha Infância

Sempre quando me lembro da minha infância, vem-me à cabeça os brinquedos. Não eles, mas a sua falta. Nunca tive quantidades de briquedos a ponto de exuberar. Meus pais naquela época não tinham dinheiro para me dar brinquedos. No máximo um carrinho, um bonequinho, uma bola, nada mais. Também não se pensava em jogos de "video game", computador então, nem se considerava a sua existência.
Hoje as crianças têm tudo e não dão valor; elas perderam um pouco da criatividade e até do respeito ao próximo. Por não ter tantos brinquedos, talvez eu tenha aprendido uma das maiores lições da minha vida: fazer as coisas em equipe e a compartilhar. Hoje, em virtude de ficarem muito tempo na frente do computador jogando, msn, comunidades sociais, etc, as crianças ficam muito individualistas e egoístas. É uma pena, estão perdendo o melhor da infância. Infância fica melhor quando se tem amigos, se pode ficar na casa dele de vez em quando e ele na nossa, é se sujar sem que a mãe brigue, jogar bola na frente de casa, brincar de luta e até brigar; isso faz parte de nosso crescimento e aprendemos lições que levaremos para vida toda.
Meus amigos de infâcia eram todos meus primos. Quando eu era criança dificilmente meus pais deixavam eu sair de casa, portanto, meus amigos eram meus primos, pois estes eu podia visitar.
Eu disse que não tinha quase brinquedos, mas o Cris tinha. E muitos. Eu me lembro que quando ia na casa dele, a Catita sempre vinha com saco cheio de brinquedos, um saco daqueles de telinha, de cebola, e esparramava tudo no chão. Enquanto ela e minha mãe ficavam tomando mate, eu e Cris ficávamos brincando. Mas eram muitos brinquedos mesmo. Tinha "homenzinho", soldadinho, cavalinho, caminhão, carros; tinha uns bonecos que funcionavam à pilha que quando ligava fazia uns barulhos estranhos, parecendo estar em um combate. Tinha também o homem aranha, super-homem e uma infinidade de brinquedos. Era uma maravilha tudo aquilo pra dois guris de sete ou oito anos.
Fora isso, todas as outras brincadeiras eram feitas sem brinquedos. Com os outros primos as brincadeiras eram um pouco diferentes. O Pio e o Rafa eram bem mais soltos que o Cris. Então nós brincávamos na rua. Jogando bola, fazendo brinquedos de greda, "tampicross¹", andar de bicicleta, pega-ladrão, entre outras bricadeiras de guri. Às vezes eram tanta gente envolvida, que a brincadeira virava um "frege". Às vezes a gurizada se pegava a pau, mas isso fazia parte da integração, logo estavam todos de bem novamente.
O único porém eram os guris mais velhos. O Cid e o Luis sempre passavam a perna na gente. Inventavam coisas que nunca existiram. Às vezes chegavam a assustar os menores. Usavam muito da superstição para levar vantagem. Inventaram até um tal de Vick-Man, um super-heroi encarnado num deles para exigir coisas. E sempre conseguiam. Eu me lembro até do "sagrado Monte Zebu", uma bobagem que hoje não existe mais. Na realidade era um morro ficava ali nas proximidades do Mutirão III, que eles diziam que era sagrado e as coisas que conseguíamos era para ofertar ao tal heroi, deus, sei lá o quê, nesse morro. Era uma trouxisse, mas era legal a brincadeira.
Entretanto, a brincadeira que eu mais gostava era a "de acampamento". Não só no mato com pescarias, mas também nos fundos do pátio. Nós brincávamos de quartel e guarda. O Cid era o comandante, sempre, era o mais velho da turma; o Luis era o sub-comandante, era o segundo da lista; o restante eram todos soldados e deviam trabalhar, deviam revesar-se na guarda noturna. Os mais velhos sempre achavam um jeito de assustar os já assustados "guardinhas" de plantão na madrugada. De vez em quando o silêncio era cortado pelo grito de "socorro mãe". Não sei mas é primeira pessoa que a gente chama quando está assustado.
Tempo nostálgico. Às vezes paro e quero voltar atrás reviver tudo de novo. Que boa época era aquela, onde não existia maldade e as coisas eram feitas com extrema expontaneidade. Acho que apesar de todos os percalços tive uma infância feliz.

Notas: tampicross: fórmula 1 com tampas de garrafa em pista de areia.

4 comentários:

  1. irmao obrigado pela emocao de nos fazer voltar aqueles viejos tiempo,chorei mao lembrear dessas historias foi maravilhosa aqquela epoca

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  2. valeu mano veio
    e isso aqueles tempos foram ótimos
    jesus

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  3. Ai, meu advogado !!!

    Jovem, nem sei como entrei no teu blog, estava vendo meus contatos no hotmail e entrei nesse troço sem querer, li teu depoimentos e confesso que me emocionei, porque meu pai também era alcoólatra, mas não era agressivo, mas posso te dizer algo com propriedade. A agressividade desta as vezes não está na pessoa e sim nesta doença ( pq é uma doença ) que torna as pessoas mais doces, em monstros, aposto que tu deve conhecer alguém bom que modifica o comportamento quando alcoolizado, além de teu pai. A bebida leva a pessoa a não dar valor para a própria vida,as pessoas num estado avançado muitas vezes querem realmente morrer , e a covardia, fraqueza e outros, por não terem coragem de darem um fim nessa doença que domina e destroi a vida, os sentimentos, e as familias. Essa fraqueza as leva a agredirem as coisas que mais amam. ( eu estou aqui não sou ninguém, se não sou ninguém, posso perder tudo que tenho( família )pra não perder eu domino.) Isso leva as essas paranóias violentas, tche eu poderia conversar um dia inteiro sobre este assunto, pois tenho momentos tristes que jamais me sairam da lembrança. Mas cara tu acha que as pessoas te criticam, mas não é isso, entende como uma lição para ti nunca ser o que tu mais odeia na tua vida, eu adoro uma bebida, mas eu vou ser o contrário, vou ser para minha filha o que eu não tive do meu pai, transforma essa magoa que tens no coração em amor, que tu vai deixar bem quardado no fundo do teu coração, para dar a teus filhinhos, e fica longe da bebida, se achas que gostas mais do que um estimulo para te alegrar numa festa, ou num reunião com amigos, não elva ela para o teu dia a dia. Tu já provou que tu é bom, estás formado e estas construindo teu futuro, cara quarda esse passado como exemplo do que tu nunca deve fazer na tua vida, e procura ser feliz, o que importa é a tua vida, cara eu gosto muito de ti, e consigo ver que tu é uma pessoa boa. Controí tua família, uma nova vida, ( casa ) tem filhos e eles iram ver isso em ti. Abraço !!! Niran Alves

    Como diz: O passado é uma roupa que não nos serve mais !!!

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