Com los Recuerdos al hombro

FIQUE RICO SEM SAIR DE CASA

5 de mai de 2010

O Vaca

O que eu vou escrever agora é uma coisa que me encomoda muito e vou escrever coisas pesadas. Por favor, quem não estiver a fim de ler nenhum desabafo e alguns sentimentos de vingança pare por aqui, não siga.
Não me sinto bem em escrever sobre essa pessoa. Mas tenho que falar sobre ela, é inevitável. Vaca, este era o apelido dele. Seu nome verdadeiro era Carlos Alberto. Ele era primo da minha mãe, a mãe dele era irmã do meu vô Jaime, a Dona Zilma. O pai dele era o Delmiro. Existia uma expressão muito famosa antigamente que dizia: "Delmiro, Delmiro, el Vaca, tu hijo casi mató mi hijo". Era muito engraçado. Isso porque o Vaca bateu num filho de um castelhano amigo da familia e ele foi queixar-se para o Delmiro.
Várias são as teorias para o apelido dele. Todas de mau gosto. O Vaca era baita de um mentiroso. Sempre dizia que pegava a fulana, a beltrana, que tinha filhos espalhados por toda a cidade. O apelido dele mostra que é completamente contrário do que ele afirmava.
Uns diziam que o apelido era esse porque quando jovem ele gostava de fazer a "vaquinha", uma "brincadeira" de meninos na época dele. Outros diziam, e davam o mesmo motivo, que quando ele fazia tal "brincadeira", gemia feito uma vaca. Daí o apelido de Vaca.
Mas o que eu quero falar aqui não tem a ver com sua opção sexual. Isso não é da minha conta. Até mesmo porque conheci duas de suas mulheres: a Eva e a Ângela. As outras que ele tanto falava não conheci.
Entretanto, quando o Vaca me vem a memória, sou tomado de nojo e cólera. Eu me lembro do Vaca desde muito pequeno. Até o inicio dos anos noventa a amizade dele e de meu pai era meio de longe. Porém, a partir de quando nós nos mudamos para a Vinte e Sete de Janeiro, eles começaram a ficar mais íntimos. Ele sempre teve bar. Até essa época o bar ficava no Cerro da Pólvora e meu era frequentador assíduo. Vendia de tudo quanto é trago, mas principalmente cachaça. Nesse tempo meu pai já era da pinga. Mas depois que cresceu sua amizade com o Vaca, parece que foi de mau a pior. Era um porre todos os dias. Foi assim durante anos, até que adoeceu, por volta dos anos dois mil. Perdeu todos os empregos por causa da maldita cachaça.
O problema não era meu pai ser cachaceiro, que por isso o Vaca não tinha culpa. Mas ele era sem vergonha e tinha interesses. Queria destruir meu pai, principalmente. Talvez tivesse inveja, sei lá. Ele ofercia canha de graça, isso quando não vendia a preços esorbitantes. Depois de tomar umas, meu pai já nem sabia quantas tinha bebido. Meu pai pedia duas, ele apontava quatro no caderninho dele. Isso era fiado, deixando assim o "véio" sempre amarrado com ele; foi que se tornou uma bola de neve sem fim. Ficou devendo um caminhão de dinheiro para o Vaca. Minha mãe era uma infeliz, nunca contrariava. Deixou o Vaca destruir a vida deles. Tanto que em 95 ele "comprou" a nossa casa, ficamos praticamente na rua. Foi tirando todo o pouco que tínhamos até então, por conta da burrice de meu pai e a complaçência da minha mãe. Eu era muito pequeno, não podia fazer muita coisa.
Mas na medida que fui crescendo, jurei para mim mesmo que o derrubaria em pouco tempo. Para isso eu fazia pequenas coisas, como por exemplo, furtar-lhe mercadorias de seu armazém. Ou ainda, como ele comprava sucata, vendia-lhe a sucata super-faturada, latinhas com areia dentro, modificava os pesos da balança e depois para piorar furtava-lhe a sucata e vendia de novo. Pura sacanagem. Mas não resisti muito tempo nesse ritmo. Eu era uma ameaça para ele. Ele tratou de levar-me para seu lado. Conseguiu. Por sua culpa envolvi em muitas bobagens. Coisas que jamais teria feito sem sua influência, como fumar e beber tão cedo.
O certo que é me dei conta da burrice que estava fazendo, afastei-me desse "diabo" o mais cedo possivel. Larguei todos os vícios e mudei de estratégia. Ao invés de lutar contra ele, a partir dali lutaria por mim. Deu certo tudo melhorou para mim. Conquistei tudo que necessitava. Dei adeus a convivência desse monstro e parti para bem longe e nunca mais falei com, apenas uma única vez, que consegui dar-lhe uns tapas.
O Vaca morreu em 2006, na mais extrema miséria, sem ninguém por perto, fazendo valer aquele ditado que diz que "aqui se faz, aqui se paga". É verdade.
Não sou daqueles idiotas que depois que a pessoas morre ficam boas. Para mim mesmo morto ele continua um traste.
Algumas pessoas me perguntam se eu culpo o Vaca pelos problemas de minha infância. De todos não, mas de alguns. Com treze anos eu pus o primeiro cigarro na boca e provei o primeiro porre. Foi culpa dele. Hoje não fumo mais e me controlo na bebida, mas naquele época eu era muito jovem pra isso, eu me influenciava muito. O Vaca não foi culpado por todos os meus problemas, claro que não, mas que teve participação em boa parte deles, isso sim. Inclusive nas brigas com meu pai. A gente brigava muito e o Vaca incitava os dois lados. Por isso eu digo: "o Vaca foi a pior droga que me apreceu". Foi uma pessoa que veio ao mundo apenas para fazer o mal. Por bem morreu, não poderá mais fazer mal algum a ninguém. Também sofreu bstante. Assim tem que ser. Quem faz o mal, tem que sofrer.

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