Com los Recuerdos al hombro

FIQUE RICO SEM SAIR DE CASA

25 de ago de 2010

Atropelado por uma bicicleta

Muito embora tivéssemos ido embora do Mutirão I, nossa vida ainda estava atrelada àquele lugar. Foi difícil para todos nós acimilarmos a ideia de que deveríamos seguir a vida em outro lugar. Assim, todos os amigos que foram feitos nessa região ainda eram os nossos amigos. Apenas com o passar do tempo que a mãe e o pai e, até certo ponto nós, fomos fazer amizades com os novos vizinhos. Mas ainda nessa época era possível visitar o Luis Carlos, a Ana, o Marquinhos dentre outros.
Também o lugar de comprar as coisas não havia mudado. Até nos acostumarmos com os armazens dali, seguíamos nos deslocando até o Mutirão I para efetuar as compras. Assim era comum gente fazer compras no armazém do Amarildo ou no Gaúcho ou ainda comprar carne ali no açougue que ficava ao lado de onde hoje é o Supermercado Souza. Era uma aventura.
Sempre sobrava para mim é claro. A mãe precisava de algo, dizia: "Jesus vai na venda e isso", "vai na venda e busca aquilo", etc. Numa dessas feitas ela me mandou ao açougue. O dito cujo. Lá fui eu. Atravessei todo a vila para comprar sei lá eu o que. Era guisado eu acho. Mas fui. Meio resmungando mas fui. Nessa época eu já resmungava, já não tinha mais o mesmo respeito de antes.
Lá ia eu, tranquilo, numa dormência só. Eu me lembro como se fosse hoje. Era forte do verão e eu estava sem camisa. Estava moreno do calor do sol. Andava sempre sem camisa no verão, parecia um "bidiva". Atravessei todo o campo do florestal, entrei na Vinte e Sete, perto da casa que era do Boca, e ainda tinha que caminhar mais um bocado até o açougue. 
Naquela época a Vinte e Sete não era asfaltada e tinha um canteiro dividindo as duas pistas. Entrei na Avenida e vi duas bicicletas em alta velocidade (não preciso exagerar, mas alta velocidade para bicicleta). O que eu pensei? Inteligente que eu era: vou para o canteiro que assim não terá perigo. Que nada. Acho que fui dormento, burro e mais um pouco. Quando vi as bicicletas vindo na minha direção tratei de correr; mas não deu tempo. Fui atropelado por uma bicicleta de corrida.
Havia dois erros aí. Primeiro eu fui burro, deveria ter ficado na calçada Depois, ali não era loal de apostar corrida. Aquela Avenida sempre bastante movimentada. Sempre houve um fluxo de veículo muito grande.Portanto aqueles dois rapazes estavam errados. Mas naquela época ninguém se preocupava com isso.
Eu não me lembro muito bem o que bateu na minha cabeça, se foi o guidão ou o próprio cara querendo me derrubar colocou o braço. Mas uma coisa eu me lembro muito bem: eu caí e fui arrastado por vários metros. Agora imaginem a cena. Imaginem também o estado que fiquei depois. Ela Avenida de terra seca e dura e com muitas pedras, fiquei com o peito e o abdômen na miséria, todo esfolado e machucado.
Quem me socorreu foi a mulher do Boca. Colocou remédio - mercúrio eu acho e metiolate - , fez curativos e queria levar-me em casa. Que nada. Turro que nem eu, estava preocupado mesmo era com o dinheiro que havia caído e eu estava com medo de tê-lo perdido. O cara que me atropelara encontrou e me devolveu.
Ainda assim, todo machucado, fui ao açougue e comprei o que a mãe havia ordenado. Cheguei em casa ela levou um susto. Eu disse que fora apenas um acidente, nada mais. Foi um susto danado.

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